Tião Duá

Tiao-Dua

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“Pra não conter esse rio-amor…
Sangue nos zói”

Como cantarola Luiz Gabriel Lopes (LG Lopes) em “Bacharelismo”, segunda faixa do disco “Tião Experiença”, é preciso força e muito amor para seguir desbravando a atual selva da música brasileira. Ser múltiplo é pouco para esse trio de esplendidos e criativos mineiros. O autoral de Tião Duá é composto pelos geniosos Gustavo Amaral (Gustavito), LG Lopes (Graveola e O Lixo Polifônico) e Juninho Ibituruna. A boêmia jovem que cresce no cerne de BH possui algumas figuras muito importantes que apontam bons caminhos para a evolução artística mineira e esses três rapazes são algumas delas.

Lançado em 2012, o primeiro disco do trio nasceu com belas composições feitas em uma sua turnê realizada na Europa em 2011. Em 2013 uma canção do projeto entrou no Álbum Branco musicoteca como uma das grandes apostas da nova música. Depois desse tempo, o grupo veio se apresentando pelo Brasil e principalmente nos palcos do exigente público mineiro. Com uma onda de sons referenciando os anos 60 e 70, o “Trio Tamanduá” como foi nomeado de princípio, ainda aplica suas colagens de sonoridade com poesia cotidiana disfarçados de tradição e ritmos aparentemente populares não fosse o requinte de sua pura e crua originalidade e preservação orgânica dos vocais e melodias levemente texturizadas. Tudo entregue na mais absoluta e proposital qualidade sensorial. Uma musicalidade radiofônica dos modernos anos 2000, deixando em mim essa particular sensação.

Destaco as faixas que mais me chamaram atenção: todas. O brilhantismo também não escapou da originalidade gráfica do disco, simples, coeso e humanamente moderna. Meu agradecimento especial para a Casa Amarela pela impecável transcrição visual das imagens e composição artística gráfica aplicadas respeitosamente ao tom delicado e boêmio de “Tião Experiença”.

Um álbum para ouvir na estrada, com boas companhias e tranquilamente com amigos exigentes na busca compartilhada de algo genuinamente artístico, tocante e respeitoso aos ouvidos mais exigentes.

Saiba mais:
Site do Tião Duá
Facebook do Tião Duá
SoundCloud do Tião Duá

Tião Experiença – 2012
Tiao-Experienca
1. Mindelo Season
2. Bacharelismo
3. Cambalhota
4. Banza Mood
5. Intersis Play
6. Haarlem Station
7. Mint Sun Drops
8. Nó Solar
9. Rui Macacada
10. Na Quebrada
11. Oh Anna

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Adicionado: 13/06/2014
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Coluna Lexotom: “Do underground ao UdiGrudi”

Nova-Jerusalem
A academia biográfica tem mesmo muita relevância na manutenção da histórica da cultura. Enquanto jornalistas (principalmente) se esbarram pelos corredores das grandes e médias editoras, em busca de um grande negócio que envolve personalidades midiáticas, estudantes deslumbrados de diversas subáreas das ciências humanas se deleitam gratuita e fortuitamente pelas entranhas dos gêneros artísticos mais inusitados que se apresentam diante de seus olhos, tão obcecados pela aquisição do conhecimento.

São guerreiros que se expõem e se subtraem a troco de uma causa nobre, impalpável, de uma importância justificada pela imortalidade de uma linguagem. O poeta Ferreira Gullar disse uma vez que “a arte existe, porque a vida não basta”, e é esse o lema incólume do lado de dentro do homem. Uma libertação cheia de caminhos vibrantes, tortuosos, imundos, verdadeiros e iluminadores.

Foi assim que o pesquisador da obra disponível nesta página chegou à conclusão de um importante registro histórico, um movimento perdido em alguma lacuna da rica cultura do nordeste brasileiro. Este pequeno investidor da biografia de gêneros fala aqui sobre “Udigrudi”, mais um movimento antropofágico da música nacional, que se perdeu no limbo da indústria cultural setentista.

Trata-se da “corruptela abrasileirada do underground (tradução: subterrâneo) norte americano, foi o termo encontrado capaz de suportar todas as referências desviantes que a postura marginal dos jovens daquela época suscitava”. Nomes populares para a ocasião? Ave Sangria, Lula Cortês, Zé Ramalho, Marconi Notaro, Flaviola e o Bando do Sol. Outros artistas, além de alguns destes, foram desistindo da cena por não suportar o fardo do alto investimento (em todos os sentidos) para se manter naquilo que acreditavam e amavam.

Raul Seixas estava no auge e o rock tomara uma forma “original-brazuca” pelas mãos do maluco beleza. Provocativo, o gênero que não nos pertence foitragado pela brasilidade, nos trazendo identidade e reflexão. Ditadura, grana, preconceito, indústria, tudo isso foi barreira para este frevo-rock – pouco dançante – sumir de onde ele nem sequer apareceu: rádios de música popular brasileira, por exemplo.

E agora veja você: imagine que você leia este artigo e queira procurar por materiais físicos que complementem a sua leitura, como livros, CDs, discos, fitas cassete ou de vídeos. O artigo, raro, supervalorizado e de luxo é fadado à exclusividade antidemocrática de poucos. Coisas que a rede pode fazer você. A não oficialidade agrega, ainda de que com falhas, o valor de uma história artística. Então, vê-se a necessidade de ações de inclusão por meio da degustação orientada. Bem, é assunto para mais tarde.

O importante aqui é o que está sendo entregue gentilmente, pelo prazer do conhecimento compartilhado da tradição cultural de um povo. Não comece pelos discos, comece pelo artigo, o livre. A musicoteca apresenta: “Do Underground ao UdiGrudi”, por Edmar Júnior.

Estudo cedido por Edmar Júnior:

Clique aqui para ler em tela maior.

Coluna Lexotom: RAP: A SALVAÇÃO DA MÚSICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA?

Rap-musicoteca
De popular o R.A.P. tem tudo. De essência, ele carrega tudo o que a música precisa: ritmo e poesia, e ainda é pretencioso o suficiente por levar tal nomenclatura, com certa propriedade. Se alguns acreditam que a ultrapassada MPB anda com a sua criatividade encostada, o mesmo não se diz sobre o RAP. Não há o que dizer. As casas de shows (das mais elitistas às mais “alternativas”), os parques, os festivais, os centros culturais e os fundos de quebrada estão sempre lotados.

O gesto do punho, com a mão aberta, descendo e subindo, marcando o tempo da batida da base, é um só para centenas de jovens, sejam hipsters, rappers, hypes, culturetes ou coadjuvantes dos versos que contam as histórias de uma grande massa de cidadãos excluídos. São palavras duras que desmascaram a realidade que ninguém quer ver e nem ouvir. Mas porque o RAP é cada vez mais bem aceito e ganha cada vez mais adeptos, sem distinção de classes, cor ou crença?

Se procurarmos a fórmula exata, não chegaremos a lugar algum. Mas porque não levantar alguns fatores? Enquanto a cultura hip hop se renova, sem perder o pulso sampleado das bases dos grandes mestres, outros gêneros ficam aquém da inovação e criatividade, muitas vezes, por tantas referências, sem direcionamento, sem aproximações de estilo. Ter diversas influências é sempre muito bom, mas o novo artista deve ser mais objetivo com o seu estilo, com a sua expressão, e o RAP e quem o faz, não deixam de inovar, em todos os sentidos.

A profissionalização do RAP se deu por interesse de grandes músicos e produtores, por perceberem que entre as rimas, sempre houve um rico material musical e literário. Refrãos ganharam identidade, enquanto o RAP se fortaleceu com a música propriamente dita, em termos de composição e instrumentação.

Ainda falando em profissionais, até mesmo o marketing do hip hop é de dar inveja em muitos diretores da publicidade. A geração Y, com gíria e responsabilidade, colocou público e novos adeptos lado a lado, falando a mesma língua e comparecendo em shows cada vez melhores.

O respeito entre os aspirantes e a velha guarda do “manismo” também é outro fator no mínimo admirável. Hoje quem está subindo ao palco reverencia suas influências e é abençoado e respeitado por quem começou à margem da música nos anos 80, no Brasil. E por isso não se tornou efêmero, não caiu nas armadilhas do modismo e ocupa espaço na história da sociedade contemporânea, carimbando o seu passaporte para o que chamam por aí de “cultura”.

O ritmo e a poesia suburbana têm ainda muito do que se orgulhar. Talvez seja o único gênero que sempre foi independente em sua trajetória de negócios. Nunca precisou e nunca adotou uma gravadora que precisasse impulsionar vendas de discos ou lotação de shows. E se um dia este gênero agonizou, não soubemos notícias. Sofreu tanto quanto a periferia, dentre represálias e boicotes, mesmo assim, manteve-se imune e continuou a sua caminhada, porque esse é o seu lema.

Identidade, linguagem muito bem definida, polêmica, provocação, criatividade, habilidade, popularidade e energia. Tudo o que o RAP sempre teve, tudo o que a música precisa e é tudo o que nos move a um show, ou às redes para descobrir aquela nova batida perfeita. O RAP continua lindo e cheio de vontade, porque, parafraseando Rashid, o terceiro garoto dessa nova safra de rappers (da esquerda para direita na foto abaixo), “…todo dia é dia de virar a mesa”.

Lauro-Lindo
Rael, Emicida e Rashid (da esquerda para direita) em show na Virada Cultural 2014 do Sesc Pompeia. Foto: Lauro Lisboa Garcia.

Ylana

Ylana-Queiroga

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As árvores de Pernambuco. Raízes fortes de estrondosos troncos e bons sons.
Assim reconheço a musicalidade da família Queiroga, uma árvore genealógica que se alastra pela arte pernambucana deixando boas mudas e sementes por onde cantores e pássaros ecoam suas composições e belas melodias. Seja na composição, junção musical ou mesmo na produção de novos talentos, a nobreza dos Queiroga permanece conectada ao contemporâneo sotaque maravilhoso da musicalidade que nos chega do nordeste.

A frutífera e rica composição musical da vez é a jovem Ylana. Embora seja uma excelente compositora, o seu primeiro disco nos serve um banquete com o melhor de suas referencias e origens musicais em interpretações surpreendentemente tocantes. Com uma seleção de mestres e amigos, Ylana nos apresenta o estandarte de mestres e amigos que abriram seus braços e a colocaram de vez dentro na música brasileira.

Com a produção musical e também na parceria da composição de “Calcanhar” com Manuca Bandini, seu irmão e múltiplo instrumentista Yuri Queiroga também mostra toda a sua sensibilidade e direção de musicalidades neste seu primeiro álbum homônimo que chega cheio de camadas eletrônicas e batidas mistas de ritmos.

Ylana é uma marca legítima da representatividade musical pernambucana não só no ponto de vista de suas referências, mas também de sua relação com o novo formato de consumo e repertório apontado em suas escolhas para o disco. Um eixo entre o clássico e o arrojo de sua vibrante energia apresentada no disco e principalmente em seus shows. Poucos conseguem reunir em seu primeiro disco tantos talentos, ritmos, sons, músicos e poetas numa validação genuína, sem a necessidade de escalonar por atalhos que muitas vezes forçam e arrebentam a barra. Ouvir a obra dessa jovem é um mar de surpresas e retrospectiva de referências da nossa música. Discreta, Ylana ganha verdadeiramente o acalanto dos mestres Capiba, Alceu Valença, Isaar, Junio Barreto, Lula Queiroga, Guilherme Almeida, Siba e também China, Capiba, Felipe S, Ortinho, Manuca e Yuri interpretando suas composições.

Não é possível permear novas sonoridades do nordeste do nosso Brasil sem descansar sobre a musicalidade de Ylana. Mesmo dentro de outono cinza ou num verão laranja, a seleção de canções por essa jovem nos faz aquecer dentro do prazer do novo, da revigoraste experiência de se sentir vivo dentro do que sentimos e transformamos em música.

Saiba mais:
Facebook de Ylana
Instagram de @YlanaQueiroga
twitter de @YlanaQueiroga
Ylana na iTunes Store

Ylana – 2013
Ylana - 2013
1. Calcanhar – (Manuca Bandini/Yuri Queiroga)
2. Toda surdez será castigada – (Jorge du Peixe/Pupillo/Lúcio Maia/Dengue/Júnio Barreto)
3. Overlock – (China)
4. Trancelim de marfim – (Isaar)
5. Nublado – (Yuri Queiroga)
6. Pedras de Sal – (Alceu Valença)
7. Não quero mais – (Capiba)
8. Tempo – (Siba)
9. Duas cores – (Felipe S)
10. Aquela rosa vermelha – (Ortinho)
11. Loa da lagoa – (Lula Queiroga/Mr. Jam/Lulu Oliveira)
12. Um dia – (Guilherme Almeida)

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Adicionado: 26/05/2014
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