Batuntã

Batutã
(Foto de Antônio Brasiliano)

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No tempo e no ritmo de pessoas.
Um choque entre o corpo e a vibração da percussão pode definir – ou não – o universo do Batuntã. O corpo que sustenta o som é o mesmo que o provoca, que o conduz e reverbera. Um conjunto de músicos que tiram do coração o tom necessário para modificar seu universo sonoro. Nesse vasto mundo de referências e matéria prima rítmica o que fica é o poder da transformação da obra, e exatamente nesse quesito que o Batuntã me ganhou, na originalidade da transformação e união de sons orgânicos, provocados e polifônicos. Tudo num respeitoso balanço moderno e ao mesmo tempo ancestral, um polivalente swing entre tempos passando por percussões terrenas e metais flutuantes.

Destaco a didática necessária e respeitosa entre a educação instrumental e sua fusão com composições bem letradas e vozes colocadas em tempos certeiros para aqueles que amam boa música e ainda estão se aventurando na degustação do instrumental, e falo isso do ponto de vista do público que está aprendendo a entender o instrumental e a experimenta-lo nessa imensa biblioteca de canções. O trabalho do grupo é audacioso e desperta os bons ouvidos para as sensações do corpo e da alma provocados por cadencias modernas envaidecendo os ritmos e a capacidade de criação do corpo, da sustentação dos sons pelas estruturas físicas humano-corporais.

Um choque de realidade para uma cena ainda intimidada pelas sonoridades partidas de letras. É tempo de passar de fase e ampliar nossas sensações musicais e evoluirmos ricamente para o campo sensorial das vibrações através das outras camadas da música.

Depois de parcerias com Chico César, Palavra Cantada e Antônio Nóbrega, o prestigiado grupo nos apresenta a sua primeira obra autoral independente com parceiros de tirar o chapéu e balançar o corpo, são eles: o mestre Zeca Baleiro, Marcelo Preto, Ricardo Herz, Flora Poppovic, Cris Bosch, arranjos por Daniel Ayres, Anderson Quevedo e Luiz Zanetti, com produção fina de Bruno Buarque e Gui Kastrup. Tá bom pra você? Pois é! A coisa está seriamente guiada e com caminhos mais que promissores. Eu não consigo parar de ouvir e me deixar tocar por esse sensacional grupo de bons corpos musicais.

Batuntã é:
Bruno Prado – percussão
Daniel Ayres – voz, baixo, teclas, percussão
Ed Encarnação – percussão
Gustavo Melo – percussão
Henrique Barros – percussão
Julia Pittier – voz e percussão
Luis Zanetti – baixo e percussão
Anderson Quevedo – sax tenor
Diogo Duarte – trompete
Jaziel Gomes – trombone e trombone baixo
Odirlei Machado – trombone
Daniel Nogueira – flauta
Deivid Peleje – tuba

E para melhorar, irá rolar um show de lançamento do disco no dia 11 de abril (amanhã) no Auditório Ibirapuera em SP. Só acho que é imperdível. É só clicar aqui para saber mais detalhes sobre esse marcante espetáculo!

Saiba mais:
Site do Batuntã
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youtube do Batuntã
Comprar no iTunes

Batuntã – 2014
Batunta - 2014
1. Camelo Island
2. Molho Choro
3. Pinheiros, Largo da Batata, Cardeal
4. Baobá
5. Leva
6. Drum’n Braço
7. Macaíba
8. Pakalolo
9. Jaqueline
10. Salão

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Adicionado: 10/04/2014
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Coluna Lexotom: “O soul nosso que dormiu um dia” por Igor Cruz

O Soul Nosso de Todo Dia

Nos início dos anos 2000 algo me preocupava. Se a gradativa ausência do classic rock já me incomodava, outra vertente da música que tomara uma evolução quase que antimusical, também tinha a sua agonia declarada: a soul music. Uma música rica em técnica e de cultura essencialmente negra desde a sua nascença se transformou, desde os anos 80, em outros subgêneros (ou subprodutos) produzidos pela indústria cultural, ou melhor dizendo, em se tratando desta época, pela indústria do entretenimento.

Foi então que, universitário que eu era, uma luz me conduziu à elaboração de um trabalho de conclusão de curso (TCC) que tratasse da ausência do tema na música brasileira. O primeiro grande desafio foi convencer um orientador a “pegar” o trabalho. Por aí, já comecei a perceber a pouca importância que era oferecida a um gênero musical que transformou a cultura de um país (EUA), a partir de suas vozes mais sentimentais, a favor dos direitos civis dos negros estadunidenses.

Claro, não abordaria o tema se essa transformação não tivesse sido replicada no Brasil. Elementos como a música “Negro é lindo” de Jorge Ben, a presença de Erlon Chaves, Wilson Simonal e Tim Maia ocupando o topo da popularidade da música brasileira, Toni Tornado com sua tatuagem dos Black Panthers nas costas e Gerson King Combo como o imitador oficial de James Brown no Brasil, já somariam pílulas suficientes para aprofundar uma pesquisa sobre O soul nosso que dormiu um dia.

Almanaques, livros, entrevistas, filmes e muita audição fizeram com que eu concluísse a minha primeira grande pesquisa em música da minha vida. Uma dedicação deliciosa em que passeei por histórias doces e amargas por este universo mágico que é a história sócio-política da música. E é aqui neste portal, nesta cápsula semanal, que presenteio e compartilho com você uma de nossas lacunas mais contundentes da história da música brasileira. Com entrevistas, documentos oficiais e conclusões – talvez inimagináveis – para você que gosta de música, seja lá para qual fim.

Boa leitura!

Clique aqui para ler o documento de pesquisa!

Victor Magalhães

Victor-Magalhaes

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Como é bom voltar para Minas Gerais.
Um lugar de música e arte disfarçado de Estado, é assim que tenho Minas em mim, como costumo sempre dizer. Além da canção e da memória sonora das montanhas verdes e férteis, das Gerais nascem muito mais que tradição, a considero uma das ricas e permanentes promissoras da arte contemporânea. De lá não para de vir coisas belas e arrojadas não só no campo dos sons. Mas é desse que vamos falar mais uma vez hoje.

Quietinho, como todo ser mineiro, Victor Chegou à mim com um maravilhoso disco. Uma síntese de intenções que desmistifica as direções da canção tradicional e nos apontando novas referencias para o semeio criativo dos ousados coletivos e engajados músicos do “uai”. Não trato de uma representação massiva e sim de uma significante sonoridade de partida para aqueles que buscam um novo olhar para a produção local. O jovem não escorregou em nada, me tocou como um verdadeiro preservador da qualidade e originalidade poética dentro da simplicidade que reúne uma bela obra além de sua caracterização de “disco”.

Trago Seu Amor é cheio de intenções melódicas e arranjos dançantes para o corpo e para a alma. E isso faz toda a diferença. Depois de passear por vários coletivos e articulações da atual cena mineira como Transmissor, Graveola e o Lixo Polifônico, Dead Lovers, entre outros, e ser quase o corpo da Iconili, Victor Magalhães nos apresenta sua primeira obra autoral e independente. Seu álbum se desdobra entre lambadas e swing sob seus braços em guitarra, trompete, bateria, baixo e voz. Um psicodélico responsável com selo mineiro.

A obra não deixa a desejar. Estou realmente contente com um registro tão generoso e representativo para este momento da nossa música. Em meu passeio auditivo, chego a ver uma paquinha imaginária que diz: “Continue preservando a nossa música. Você vai começar a ouvir um disco de Minas Gerais.”. Delicado e pra frente, Victor é um talento tímido e promissor, visto ainda que, grandes parceiros assinam a produção de sua seleção criativa: Leonardo Marques na produção musical e Henrique Matheus e Thiago Corrêa do Transmissor assinam a co-produção. Isso não é à toa.

Mais um grande disco das montanhas férteis brasileiras.

Saiba mais:
Facebook do Victor Magalhães
SoundCloud do Victor Magalhães

Trago Seu Amor – 2014
Trago Seu Amor - 2014
1. Ver Tereza
2. Nara chamou
3. Guitarra de pilha
4. Encontro natural
5. País Tropical
6. Baile do Branco
7. Lambada da goiabada
8. Calçada colorida
9. Combu
10. Meu bem

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Adicionado: 08/04/2014
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Aurora

Aurora

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As nuances e texturas da música de Aurora.
Por Bárbara Eugênia e Chankas, o registro Aurora nasce do cruzamento de música e experimentações em texturas musicais. Essa é minha sensível impressão sobre minha particular audição. Em conversa com a Barbara ficou claro o origem da obra. Sua pesquisa e leitura dentro do universo dos Beatles e a repercussão de suas obras sobre o mar do que chamamos de música hoje acabou influenciando suas observações, anotações e textos acumulados ao logo de 2013. Logo, numa dessas conversas entre amigos nasceu interesse de seu parceiro Chankas para transformar todo o material em um disco.

Aurora teve uma concepção bem orgânica, os arranjos e harmonias vieram nascendo das consultas e misturas entre o universo musical durante os encontros da dupla. Um processo quase que artesanal e que também contou com outras incríveis parcerias como Regis Damasceno, Richard Ribeiro e Thomas Rohrer que formam a banda do disco. O álbum contou com ensaios na SUPER Casa do Mancha e logo partiu para as gravações no Estudio El Rocha e masterização por nada menos que Fernando Sanches. Phoda!

As composições são todas de Bárbara Eugênia e Chankas, exceto “Aurora”, que conta também com os parceiros Regis Damasceno e Richard Ribeiro. Um universo construtivo e rico que acabou virando um disco elaborado especialmente para imprimir em vinil, todo gravado lindamente em rolo de fita. A versão física só sairá em vinil e com ajuda colaborativa financiada por amantes da obra. Eis que a musicoteca também foi escolhida para disponibilizar a versão digital integral em nosso acervo. Delicado e com uma ambiência nostálgica, o charme fica por conta das texturas e da poesias contemporânea apresentada na junção de dois universos que se completam num abstrato campo de memórias melódicas e da crônica concretista. Eu gostei, e muito. E não poderia deixar de falar das fotos lindas de divulgação feitas pela talentosa Juliana R.

Caso você se interesse pelo belo vinil que está por vir, vale a pena contribuir com o financiamento de sua realização neste link. Se não, baixe, compartilhe, divulgue e apresente esse maravilhoso trabalho com seus amigos apreciadores da boa música.

[teaser oficial de captação para o vinil do Aurora]

Saiba mais:
Facebook do Aurora
Catarse do Aurora
SoundCloud do Aurora
BandCamp do Aurora

Aurora – 2014
Aurora
1. Say Goodbye
2. With Love
3. Don’t Let it Slip Awa
4. Why So Mute?
5. Stand Up For Yourself
6. Climb The Stairs
7. And Love You’ll Have
8. Ants
9. Aurora

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Adicionado: 04/04/2014
Baixado: 1676 vezes
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