Coluna Shuffle – Nossos gostos musicais são sensíveis demais

Você já parou para perceber como sofremos uma profunda influencia em nossas percepções musicais? Por exemplo: se a incrível Maria Bethânia tivesse lançado uma música e depois, essa mesma canção, tivesse sido regravada por um cantor popular, desses considerados ruins, isso seria um absurdo. Certo? Afinal, ela é a Maria Bethânia e quem é esse qualquer? Vamos para um segundo exemplo: certo dia, a Bethânia (ela será o nosso exemplo) resolve regravar um grande sucesso que tocou nas rádios dominadas por sucessos populares – o daquele cantor popular. A interpretação dela é divina (di-vi-na). Certo? “Que letra magnífica!”.

O que mudou? Qual a grande diferença? O que a Bethânia tem que os outros não têm? Ela tem um selinho carimbado em tudo o que produz que está escrito assim: tudo o que ela faz é perfeito. Será mesmo? Sejamos sinceros conosco mesmo – vamos, se esforce. Por que quando ela cantou a música do cantor “popular” passou a ser perfeita? Um exemplo prático: se a Gaby Amarantos canta a deliciosa música Xirley, é technobrega, mas se o Zé Cafofinho canta, é cult. Por que adoramos colocar gêneros em caixinhas que não se convergem?

Esses muros que dividem o que é bom do que é ruim (ou o que é popular do que é erudito – para usar os termos mais comuns) nada mais são que uma grande besteira – mas sejamos verdadeiros: as divisões fazem parte de nosso dia a dia, de nossas percepções musicais. Nossos gostos, na verdade, são sensíveis demais. Que tal uma experiência? Escute cada uma das três músicas a seguir e me diga o que elas têm de diferente – use a parte de comentários para dizer suas percepções e experiências musicais.

Lucas Rossi

Quando nasceu, veio um anjo torto e disse: Lucas, você vai gostar de música, seja ela qual for. Vive em São Paulo, mas ama o mundo. Vive com música nos ouvidos e na boca. Vive de jornalismo e ama o que faz. Ama viajar, ir a shows e restaurantes diferentes. Lê tudo o que aparece pela frente.

    • Vinícius Paes
    • dezembro 17th, 2011

    Sensível Demais é uma canção belíssima, aliás, a versão de Christian e Ralf é a melhor. Belas vozes. Compreendi sim, a postagem. Mas, este fato, não anula o outro, de que existe uma indústria que produz música em larga escala, como qualquer outro produto enlatado, com a única intenção de gerar lucros, como em qualquer processo industrial. O problema não é o ser ou não ser comercial, a questão aí é ser ou não ser verdadeiro. Em toda manifestação artísticas, devemos separar o produto de entretenimento, da verdadeira arte.
    É que agora o cult, é dizer que não existe nada ruim. uahauhauhau. Mas, são os mesmos que, alguns tempos atrás, rotulavam tudo quanto é coisa, e eram o máximo do preconceito.

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    • Thaty_celos
    • novembro 8th, 2011

    O nosso problema é sempre rotular tudo, o que é bom pra mim nem sempre vai ser bom pra fulano ou sicrano.

    Sou fã declarada da Bethânia, mas nem por isso deixo de entender completamente a postagem. Concordo com tudo.

    Mas há um diferencial importantissimo. Se estamos falando de arte, de poesia é preciso mais do que somente cantar, ou pegar um papel e pronunciar palavras de forma aleatória. Sensibilidade pra interpretar e colocar arranjos que funcionem é de fundamental importância. E em certos casos, não se aprende. Parece até que há quem tenha nascido pra isso.

    A entrega de Bethânia, apesar de reclamar durante a canção, não a tira de uma concentração que emprega emoção. Ela sabe o que tá fazendo, e nem por isso parece previsível.
    E outra coisa, a música é linda sim!!

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    • Anônimo Covarde
    • outubro 30th, 2011

    Cantar é uma arte. Tem gente que sabe, tem gente que não.
    Agora, também existe música ruim, que não fica bem em nenhuma voz (é o caso de "É o Amor").
    "Sensível Demais", no entanto, é uma bela música.

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  1. de repente começaram a surgir regravações de músicas consideradas 'bregas' por artistas 'cults' e me intrigava o fato de eu gostar das novas versões e não das antigas. um dia, lendo um livro chamado "A distinção', de Bourdieu (sei que parece cult demais, mas é verdade) eu entendi. A questão toda (por mais óbvia que essa resposta possa parecer) é a estética. Cada um de nós é criado para gostar de determinada manifestação da arte e acaba por se acostumar com isso. a partir desse 'molde' cultural que temos, a maneira com que a música mexe conosco vai muito além da letra.

    muito bacana sua abordagem no blog e mostrar três versões tão diferentes da mesma música.

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  2. Entendo o que você quis dizer, mas temos que lembrar que a música vai além da letra ou simplesmente da melodia. O bom gosto na hora de fazer os arranjos e a interpretação conta muito. E em se tratando do 'exemplo' Bethânia há um talento de interpretação ali, que vai muito além de qualquer outro artista, na minha opinião pessoal.

    Quanto à música em questão, acho uma música bonita. Não colocaria pra tocar com o Vercillo, não gosto dos arranjos dele. Não ouviria com o Ralf, não com essa interpretação infeliz, com essa voz sem calor.

    Ok, sou fã da Bethânia, mas nem por isso achei que a interpretação dela de "É o amor" ficou ótima, a música é pueril de mais ao meu ver.

    Enfim, acho que todos podemos sim gostar de uma música em interpretação de um artista, e em outra não, ou até mesmo em dois momentos do mesmo artista… como forma de expressão artistica a música vai além da composição, da letra, é movimento e depende de quem faz e de quem ouve. Sem culpas, e sem pré-julgamentos.

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  3. acho que isso é com todo mundo.
    querendo ou não somos preconceituosos musicalmente.
    só acho que tem que saber "o limite" entre uma música ser ruim mesmo e outro entre ser um interprete que vc não gosta. :)

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