Quarto Negro

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A chave para o quarto negro.
Presença garantida nas principais listas de melhores do ano, os paulistanos do Quarto Negro largaram o som tímido do EP “Bom Dia, Lua” e produziram em 2011 o ótimo “Desconocidos”. Gravado no verão europeu, em Barcelona, a experiência fora do Brasil teve papel importante no amadurecimento da banda, que se destaca pela poesia sombria e pela ‘beleza’ do instrumentalismo, uma escolha predominante no registro.

O disco de 11 faixas imprime a experiência vivida pelos integrantes. Os três anos de trabalho em sua confecção renderam ao disco uma poesia que salta aos ouvidos.

Com o previsível êxito de “Desconocidos”, o novo grupo se solidifica entre os grandes representantes da atual safra do rock alternativo. Agora, chegou a sua vez de tatear à procura de sensações nesse Quarto Negro. Surpreenda-se!

Mais informações:
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Desconocidos – 2011

01. Luz
02. Nosso Primeiro Divórcio
03. Prometeu ao Santo
04. Quando Mar Não Vem
05. Socorro
06. Llucmajor
07. Do Medo ao Medo
08. Vesânia I (Cabo Horn)
09. Vesânia II (Delírio Mútuo)
10. Perfume Solto
11. Desconocidos

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Adicionado: 27/01/2012
Baixado: 379 vezes
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Rafael Alterio

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Um toque de mestre na nova música.

Cego são aqueles que acham que veem tudo. Enquanto a pompa preguiçosa dos críticos musicais se arrasta cheia de seguidores nas redes sociais, a música segue marcando seu passo, se reinventando muito longe das redações jornalísticas. enquanto as celebridades blogueiras e produtores dos desgastados coletivos promovem suas festinhas, nós seguimos na miúda, sem subestimar o talento do artista anônimo. O Grande fazedor de coisas legais!

Não estamos interessados em seguir o Nelson Mota nem a Patrícia Palumbo. A arte condessada não nos interessa tanto. A essência artística morará para sempre na casinha do anonimato com um portão simples. E é lá que a musicoteca entra pra tomar chá.

Não tratamos a maestria do paulistano, músico e compositor, Rafael Alterio como mais um elogio poético. É que, as vezes, achamos que o novo usa sempre uma roupa xadrez, um óculos de arcos grandes e toca no studio sp da rua Augusta.
Rafael é um mestre da delicadeza musical. Além de criador, saber dar relevância e peso as suas obras. Sutileza e bom gosto seriam um ótimo caminho para a nova música brasileira, sem gastar as sedas, já tão apropriadas pela classe média, claro. A música livre e nova ainda carece do sublime encanto da música arquitetamente pensada, curada em referencias técnicas, sem muito arrojo gráfico. Vejo na obra “Santo de Casa” um belo presente para os ouvidos mais sensíveis e exigentes que ainda duvidam do trato na nova música livre. É uma resposta com música.

Além de completar a talentosa família Alterio, Rafael já teve suas composições a prova nos festivais de música mais respeitados do Brasil, e também parceria com Rita Alterio na canção “Quando Alguém Cantar” gravada por Chico Buarque. Em seu último trabalho, que você pode apreciar hoje, aqui em nosso acervo, Rafael coloca uma trupe de jovens na banda e mostra como fazer um disco de música realmente contemporânea. Além das participações de Thiago Monterio (teclados), Marcelo C. Mariano (baixo), Webster Santos (violões e guitarra), Gabriel Altério (bateria) e Douglas Pessanha (percussão). O disco ainda conta com participação mais que especial de Mônica Salmaso. Um disco de requinte que abre caminho para quem gosta de ouvir o outro lado.

O que nos resta fazer agora, além de agradecer?
Ouvir!

Mais informações:
MySpace de Rafael Alterio
Facebook do Rafael Alterio

Santo de Casa – 2011

01. Zumbi Bara
02. África
03. Dio Zambi
04. Banzé da Cuia
05. Baque Solto
06. Flor de Rio
07. Quando o Galo Cantar
08. Molho Temperado
09. Filhos de Uaranã
10. Santo de Casa
11. Camarada de Ogã

http://www.amusicoteca.com.br/wp-content/plugins/downloads-manager/img/icons/default.png Download: Rafael Alterio - Santo de Casa - 2011 (48.93MB)
Adicionado: 24/01/2012
Baixado: 375 vezes
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Coluna Macarronada – Macarronada no barco

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Viagem de fim de ano. Viagem ao novo. Viagem fora do plano, “A” viagem. Maceió, fim de 2008 e a vontade de conhecer o Velho Chico, a partir de um passeio rápido, despretensioso, com foco no encontro de um rio com um mar. Apenas para ter a certeza de um dos encontros mais famosos do Brasil.

Pois bem, a cidade se chama Piaçabuçu, de Maceió sai um barco rumo a uma das paisagens mais esplêndidas vistas por estes olhos mortais. O pacote é completo: inclui almoço, o passeio de barco, os guias turísticos e o Grupo Caçuá. Um momento! O que é o Grupo Caçuá?

É a música daquela região. É um ventinho sonoro da embarcação. É o dedilhado que vem do aceno do ribeirinho às margens do Velho Chico. É a imensa folha de bananeira flutuante que te leva em direção a um encontro regido pela natureza.
Entre uma música e outra, uma palhinha do guia turístico que explana os problemas de uma possível alteração no curso do rio. Bate a tristeza. Mas também bate a certeza de um investimento muito bem feito, num pacote que incluiu música regional a uma aula de história.

Infelizmente as referências na internet são poucas, mas a Musicoteca traz para você o álbum distribuído no barco e devidamente autorizado, depois de muito vasculhar.
Ouça, compartilhe, dê acesso.

Mais informações:
Blog do Grupo Caçuá
Orkut do Grupo Caçuá
Outras referências:
No site Alagoanos

Grupo Caçuá – 2009

01. Marcha de Acompanhamento
02. Olhos Sobre a tela
03. Ô Blá-Tá-Tá
04. Lamento de Um Pescador
05. Gaivota
06. Saudades do São Francisco
07. Rio de São Francisco
08. Foi Deus Que Me Fez Assim
09. Amado Baião
10. Festa do Céu
11. Esperança
12. Parada
13. Festival dos Artistas

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Adicionado: 22/01/2012
Baixado: 272 vezes
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Coluna 8 ½ – Blow Up – Depois Daquele Beijo

Em uma rápida reflexão sobre o cinema – ao menos o cinema que faz parte da minha vida – é quase que impossível não perceber o quão constante é a temática do “vazio”. Esse sentimento, que nas telas (bem como na realidade) pode se apresentar nos mais diferentes tipos de pessoas e gerar reações que variam da tristeza profunda à euforia, é algo difícil de ser ignorado, uma dor insistente que pode acompanhar toda uma existência.

Se nos protagonistas de “O Segredo de seus Olhos” e “A Vida dos Outros” o sentimento de vazio era compensado através do trabalho, a lacuna existencial de Martín, personagem central de “Medianeras”, apresentava seus sintomas a partir do isolamento e da hipocondria. Em Thomas, fotógrafo de sucesso vivido por David Hemmings no clássico “Blow Up”, filme de 1966 dirigido pelo italiano Michelangelo Antonioni, a hiperatividade, a futilidade e, sobretudo, o tédio foram os elementos catalisadores de uma vida marcada por episódios de paranóia e fuga da realidade.

“Blow Up”, traduzido para o português como “Blow Up – Depois Daquele Beijo”, conta a história de Thomas, um fotógrafo de moda londrino muito requisitado que não encontra mais prazer no trabalho e tenta escapar do tédio capturando imagens de pessoas marginalizadas, como mendigos e idosos que vivem em casas de repouso. A efervescência da “Swinguing London”, como foi chamada a capital inglesa durante os anos 1960, já não preenche a lacuna emocional de Thomas: o sexo é muito fácil; as festas, recheadas de drogas e promiscuidade e o rock n’ roll, cheio de uma rebeldia autodestrutiva, parecem sacais e simplesmente não conseguem despertar Thomas de seu estado entorpecido. Mesmo não sendo explícito, é fácil perceber nesse contexto a crítica de Antonioni à burguesia e à juventude da época.

“Quem dera eu tivesse muito dinheiro. Aí então seria livre” comenta Thomas em uma cena, ao que seu agente questiona “Livre para fazer o que? Livre como ele?”, apontando para a fotografia de um mendigo. Thomas, no entanto, não consegue responder o porquê não é livre e o que faria com essa liberdade. Desconhecendo as razões de seu vazio, o fotógrafo perambula pelas ruas de Londres e, após visitar uma loja de antiguidades que pretende adquirir (mesmo sem saber o que fazer com ela), encontra um casal trocando carinhos num parque. A alegria e os risos da moça (vivida por Vanessa Redgrave), além da diferença de idade entre ela e o homem com que se encontra, chamam a atenção de Thomas, que começa a capturar a cena aparentemente banal.

A atitude voyeurística de Thomas é percebida pela moça, que lhe pede com grande insistência que entregue o filme. Após a recusa do fotógrafo, ela até o persegue – e tenta seduzi-lo – sem obter resultado. Ao revelar as fotos e ampliá-las exaustivamente (daí o nome “Blow Up”, que significa ampliação fotográfica), Thomas acredita ter presenciado, mesmo sem notar, o assassinato do homem que estava no parque e sente-se motivado como não se sentia há muito. O restante da trama se desenrola a partir das tentativas de Thomas de descobrir se o homicídio foi real ou apenas fruto de sua imaginação entediada.

O resultado dessa busca de Thomas, no entanto, não é o foco de Michelangelo Antonioni. Se ocorreu ou não um assassinato é o que menos importa ao diretor italiano, que se baseou no conto “As Babas do Diabo”, do escritor argentino Júlio Cortázar, para escrever o roteiro de “Blow Up”. O período em que Thomas passa buscando a verdade é o que realmente interessa: durante tais momentos, o fotógrafo sai da rotina, esquece o vazio e encontra a felicidade. Uma pena, porém, que esses momentos sejam passageiros…

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